quinta-feira, 24 de março de 2011

Ceifa, ceifa!

Certo dia, pela manhã, enquanto esperava o ônibus que me levaria ao trabalho, sentei-me na calçada para melhor observar a paisagem.
Do outro lado da rua, num terreno baldio, um homem iniciou seu trabalho. Munido de uma ceifa, o homem ceifava com vontade, o mato.

Ocorreu-me que certas coisas não podem ser apenas arrancadas ou simplesmente retiradas. Tampouco esquecidas ou deixadas de lado. É necessário mais. È preciso ceifar.
Sim, porque cortar é preciso. Basta a hora escolhida, a força e a vontade. Basta o mato.
Basta ceifar. Ceifa, ceifa, ceifador!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Filosofia de banheiro

Quando já não se espera mais nada, você encontra um banho quente com uma brisa fria. Desses que talvez levantasse até defunto.

Mas esses já não esperam mais nada. Não sabem mais do quente e do frio. Só sabem da vida. Que se vive, que se expira.

Então deixemos os banhos, os quentes e os frios para os vivos. E a vida aos defuntos.

Apenas mais uma de amor

Quem dera essa prisão
E nela sentir que nenhum mal atinge

Nem que seja por algum instante, ou alguns anos
Ou alguns anos de um instante.

Por que Amor é efêmero
E a eternidade de um momento.

Não importa quanto tempo, quantas horas ou vidas
Mas vale o instante da prisão.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Meio x Nós

É mais fácil sermos influenciados pelo meio do que nós o influenciarmos. De certo que o meio quem faz somos nós. Mas o meio toma suas formas próprias e o "nós" se tornar a minoria.

Em um meio onde gentileza é coisa de outro mundo, ninguém quer ser um extraterrestre.

Se juntar a ele, parece fazer sentido e perpetuá-lo é cômodo.

Seria mesmo absolutamente inútil os nossos anos esperançosos ou teria nossos pequenos gestos atingido alguma alma?

Então pergunto, até onde vale o nosso esforço?

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Onda

"Quando ela passa, ele segue

Quando ele passa, ela olha

Vai e Vem

No silêncio das pegadas

No barulhinho dos papos

Ela nunca para

Ela vai e ela vem

Onda bate

Onda vai e vem"

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Viver

1º coisa a se fazer para viver é aceitar que a vida nao é bela.

Desse modo, rejeitamos os sonhos de vida perfeita e de pessoas perfeitas.

Pq uma hora ou outra, esse sonho sera desmoronado. Aí sofreremos, acusaremos o outro de ter nos feito isso ou aquilo.

Nao funciona nao aceitar os erros alheios, com aquele pensamento que "só o bem vencerá". Devemos aceitar.

Aceitar um erro ou um defeito nao é ser fraco, ou mole (como se diria no popular), ou bobo. Aceitar um erro é ser o suficiente.

Quando aceitamos o nossos erros e os nossos defeitos, somos perfeitamente capazes de aceitar o outro com seus erros e defeitos.

Quando ja temos uma pre aceitaçao das imperfeiçoes, elas ja nao nos atigem.

Admitir que a vida nao é bela é a formula que torna a vida bela.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sobre Amor

Divagando entre as flutuações de meus pensamentos, entre as impossibilidades do amor, conclui sobre suas possibilidades.

Que este nada mais é e não seria menos que um fragmento deste mundo, paralelo e ainda assim onipresente a este. Apenas notório aos loucos.

Eles que tomam partido do que querem, mesmo sabendo por quantas infindáveis escolhas terão que atropelar.

Estando o mundo fragmentado, outro seria composto pelas nebulosidades da razão. Seria este a ascensão ou a queda da humanidade?Um estado de eterna busca por respostas que já óbvias.

Ah, mas o amor, incansáveis devaneios recriados mil vezes se preciso, para não acabar o sorriso. Irrequieto repouso. Abismo de dois precipícios, como um bêbado que tenta se equilibrar, mas apenas pode escolher para qual lado vai cair.

De um lado, um abismo de delírios juvenis em campos floridos e alegres onde o próprio amor se basta.

De outro, um mergulho profundo nas inquestionáveis incertezas da mente, que viperinas, corroem o mel do amor a doce esperança. Sobrevive sozinho o amor?

Fica-se então assim, equilibrando, bambeando, transitando de um estado de insanidade a outro, entre poesias e suplícios, suspiros e martírios sobre as inesgotáveis possibilidades do amor.

(Escrito em 2008)