quinta-feira, 4 de junho de 2015

Sem tempo

O tempo que passava
Era ida
O tempo transpassava
Assim corria minha vida

Não parava em nada que eu queria
Desejava e não possuía

Quisera eu por um instante
A vida que corria
Lá fora borbulhante
Que me acenava e me sorria
Agarrar-lhe triunfante

quarta-feira, 4 de março de 2015

O que não tive

Ele era alegre. Tinha os olhos da avó. Mais expressivos. Carregava a ingenuidade mentirosa de quem acredita na paz mundial. De quem acredita nos outros mas não em si mesmo.  Uma dessas pessoas que faz caridade quando sorri para outros, porque tem um daqueles sorrisos que vem da alma para a boca. Gostaria de dizer que tinha talentos excepcionais, mas não cabe aqui mentir ao meu caro leitor, pois ele não tinha. Não era musicista, nem artista, ou esportista. Nem deu para ser poeta.  Contudo, meu caro leitor, há talentos mais excepcionais, há pessoas que entendem o coração dos outros, há aqueles que retornam ligações de amigos, e os que se doam para a vida. E há os que dão vida a outros. E os que tem filhos. Nisto há um dom. E dom não é para todos. Nem tudo, é para todos.  E este, meus caros leitores, é o filho que não tive, por isso vos escrevo. Não deixei herdeiros da miséria da existência humana. 

Clarice e as outras

Clarice não conseguia dormir. E também tinha medo de acordar. Os barulhos debaixo da cama, só podiam ser uma coisa, havia um monstro lá.  Também havia um monstro no espelho e outro na porta da rua, assim como em outros lugares. Nunca viu, mas não restavam dúvidas.
Houve um dia que Clarice viu. E debaixo da cama, o monstro que a assustava, era ela mesma. E uma a uma, Clarice foi vendo todas as Clarices de que tanto tinha medo.

Eram todas partes da travessura de uma mesma Clarice. E assim conviviam , as Clarices de vontade inconsciente e a Clarice aparente. Qual delas ali estava, ninguém sabia , mas foram todas as Clarices que tornaram-se uma. 


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Boa Sorte

Não direi que nunca amei
Porque um dia nosso leito virou de morte
Não te matei em meu peito
E ainda lhe desejo toda sorte

Adeus

Eu tento aceitar
Que ando agora tão só
Desde que tu quisestes
E escolheu outro lugar para andar
Te amar me basta apenas
Pois não o teria preso a mim 
Se tua felicidade é outra
Que eu te ame de longe assim
Não espero pela posso de um dia enfim
Pois amando-o descobri a mim

Sigo

Te sigo de dia e de noite
Sem saber onde estás
Tateio nos ares
amores e gostos
Procuro em ti aquilo que perdi:
sorrisos e flores
Mergulho em mares: oceanos de ardores


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Poesia Veraneia

Eram lentos aqueles dias de verão
O sol pesava em meu ombros
Tudo se arrastava
Amores lentos...
Tudo era ouro o que o sol beijava
Difundia em brilho o refino que virara
Tudo se arrastava
Os sons seguiam o silêncio
Daquelas tardes vazias
Em que o dia era eterno
Naqueles dias lentos de verão